A Batalha dos Gigantes

A Batalha dos Gigantes

Travamos Batalhas Psíquicas Constantemente

Essa batalha dos gigantes, que travamos diariamente, acontecem predominantemente em um nível inconsciente.

Segundo Freud, o inconsciente é a parte mais arcaica do aparelho psíquico. Ele herda, dos nossos ancestrais, elementos pulsionais, que são instintivos, carregados de energias, que não estão acessíveis a consciência.

Sabemos que Freud não descobriu o inconsciente, mas que ele identificou que nosso inconsciente tem mais “poder” sobre nossa vida do que nosso próprio material consciente.

batalha dos gigantes

Freud também identificou formas de acessar nosso material inconsciente para torná-lo consciente, e assim podermos ressignificar questões traumáticas e limitantes.

Também, há no inconsciente elementos que foram excluídos da consciência por um processo de censura e repressão.

No inconsciente estão os principais determinantes da personalidade, as fontes da energia psíquica e as pulsões.

A pulsão é uma energia psíquica que tende a levar o indivíduo à ação para aliviar a tensão resultante do acúmulo de energia pulsional.

Existem duas formas de energia pulsional, a sexual – erótica ou fisicamente gratificante – e a agressiva ou destrutiva. Essas forças são antagônicas, a sexual preserva a vida e a outra incita a morte e ambas fazem parte da psiquê.

Porém, o aparelho psíquico (psiquê), como descrito por Freud, tanto no modelo topográfico (primeira tópica – inconsciente, pré-consciente e consciente), quanto no modelo estrutural (segunda tópica -Id, Ego e Super ego) não forma a parte física do cérebro e sim uma parte que é imaterial.

A Conversa Na Batalha Dos Gigantes

A forma como o Id, o Ego e o Superego se interagem define como será o comportamento do sujeito, compondo assim sua personalidade.

Uma vez que o Id está presente desde o nascimento (é hereditário), ele “ocupa” nosso inconsciente e é responsável por comportamentos mais primitivos, ou seja, baseados em instintos.

O Id é considerado o principal elemento da personalidade por conter a maior fonte de energia psíquica sendo comandado pelo princípio do prazer. Ele quer sempre satisfazer suas necessidades de forma imediata sem levar em consideração o outro, as circunstâncias e nem mesmo as consequências. E quando isso não acontece muita ansiedade e tensão é gerada.

No entanto, ele tem uma função primordial nos primeiros anos de vida de um bebê, uma vez que ele não se acomodará até que suas necessidades (básicas) sejam atendidas, o que é necessário para sua própria sobrevivência.

Com o passar do tempo, esses impulsos precisam ser dominados para que possamos viver de forma civilizada em sociedade. Este período na vida do indivíduo é de extrema importância.

Na sequência, desenvolve-se o Ego, outro componente da personalidade que começa a ser assimilado pelo indivíduo a partir do Id. Ele tem a finalidade de conciliar a satisfação dos desejos com a realidade. É orientado pelo “princípio da realidade”. Sem esse mecanismo a convivência em sociedade de forma satisfatória seria perturbadora.

O Ego, segundo Freud, tem uma mobilidade nas esferas conscientes, pré-conscientes e também inconsciente. Esta instância considera a consequência de se tomar uma determinada ação no momento da demanda. Um Ego bem desenvolvido é capaz de adiar ou até mesmo abortar a satisfação de um desejo em prol da boa convivência.

Essas tensões, que são geradas pela não satisfação imediata dos desejos, podem ser descarregadas pelo Ego por meio de um processo secundário. Neste processo, o Ego tenta encontrar um objeto no mundo real que corresponda a imagem mental criada pelo processo principal do Id.

Já o Super Ego é a última instância da composição da personalidade a ser desenvolvida. Ele mantém todos os aspectos da nossa personalidade internalizados. Agrega os valores que incorporamos a partir da educação que recebemos, mas especialmente dos pais, semelhantemente ao discernimento de certo e errado.

É com base nele que compomos julgamentos, o que começa a surgir aproximadamente aos 5 anos de idade.

Freud menciona duas partes do Super Ego, a primeira é o Ego Ideal compostos pelas regras de bom comportamento advindas dos pais ou figura de autoridade. O cumprimento dessas regras geram sentimentos positivos, como de orgulho e realização.

A outra parte trata-se da consciência sobre as coisas que os pais e a sociedade desaprovam. Trata-se de comportamentos proibidos e que levam a consequências ruins, tais como, sentimento de culpa e remorso.

O Super Ego busca aperfeiçoar e civilizar nosso comportamento. Tem a função de eliminar os impulsos do Id e ajudar o Ego na realização dos desejos de forma ideal.

O Conflito Na Batalha dos Gigantes

Podemos concluir que essas forças, Id, Ego e Super Ego concorrem entre si, gerando conflito. O Ego, que é o elemento central da personalidade, precisa se dotar de uma grande força para poder se estabelecer apesar dessas forças conflitantes.

A forma como o Ego se coloca diante dessas forças conflitantes vai definir a personalidade da pessoa que, com um Ego fortalecido,  consegue administrar de forma eficiente essas pressões.

Ao passo que uma pessoa com um Ego fraco ou demasiadamente forte gerará comportamentos demasiadamente inflexível ou conturbados.

Personalidade Saudável

Segundo Freud, uma personalidade saudável advém de um equilíbrio entre essas 3 instâncias, o Id, Ego e o Super Ego.

É importante termos em mente que essas instâncias não são entidades separadas ou delimitadas de forma harmoniosa, são processos e funções diferentes e dinâmicas que compõem a mente.

Com o Ego atuando como elemento central da mente e tendo suas exigências atendidas, esse sistema se manterá e teremos como resultado uma personalidade equilibrada, apta para um convívio social harmonioso.

No entanto, se houver um desiquilíbrio, o resultado será uma personalidade desajustada.

Quando o Id é dominante, temos um indivíduo impulsivo e incontrolável. Com um Super Ego dominante podemos ter um indivíduo moralista, rígido, incapaz de reavaliar regras e estruturas estabelecidas e com pouca ou nenhuma espontaneidade.

Aqui, podemos fazer um paralelo com o que diz as Escrituras Sagradas, a Bíblia, e notarmos a semelhança entre o que Freud definiu como Id e o que Bíblia chama de natureza caída do homem.

Essa natureza pecaminosa é colocada como consequência do homem ter escolhido agir (no jardim do Éden) de forma a satisfazer um desejo do qual ele já havia sido advertido, pelo seu criador (Deus), que não seria bom para ele, gerando o pecado original.

Com isso toda a raça humana teria herdado essa natureza pecaminosa, ou seja, imediatista e inconsequente, que visa somente a satisfações dos seus próprios desejos sem levar em consideração as consequências e nem o outro.

Qualquer semelhança com o Id mencionado por Freud é mera coincidência?

Vambora?

psicanálise no diva

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